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'Cem Anos de Solidão': livro de Gabriel García Márquez faz 50 anos

 (Foto: Reprodução)

 

Em 30 de maio de 1967 Gabriel García Márquez, o Gabo, lançava Cem Anos de Solidão, considerado pela crítica especializada e pelos fãs do escritor como sua obra-prima. O livro conta a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo e de como a matriarca, Úrsula, toma conta de tudo e de todos.

A obra, entretanto, não ficou conhecida só pela narrativa: “Várias partes do livro podem ser interpretadas como passagens da história ou da condição humana latino-americanas”, diz Alexandre Barbosa, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em América Latina.

Cem Anos de Solidão faz parte do gênero realismo fantástico, que conta histórias reais com um toque de irrealidade. Há, por exemplo, uma parte do livro em que chove por mais de quatro anos sem parar: “Uma tempestade assim não seria possível na realidade, mas ela é uma metáfora do processo de silenciamento que ocorre na América Latina depois da repressão aos movimentos populares”, afirma Barbosa.

Outra característica da obra são as repetições. Nomes, acontecimentos, objetos… Tudo parece surgir mais de uma vez, o que não é coincidência. O livro conta, também, a história das cidades da América Latina que, para o professor, também acontece em ciclos. “Nosso continente vem passando por ciclos como os da conquista europeia, os de luta de independência, os de invasão norte-americana, os de ditaduras militares, os de resistência às repressões, os de governos neoliberais, os de governos nacionalistas e agora um novo ciclo de governos liberais. Tal qual a cidade de Macondo, a América Latina parece condenada a ficar repetindo esses ciclos.  E a produção cultural acompanhou esse processo do realismo mágico de se voltar para a história e realidade do continente”, afirma o professor. 

Pensando nisso, a GALILEU preparou uma árvore genealógica da família Buendía para te acompanhar na leitura (ou releitura) da obra com vários Josés Arcádios e muitos (muitos) Aurelianos.

Árvore genealógica de '100 Anos de Solidão' (Foto: Fernanda Ferrari)

 

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*Com supervisão do editor Thiago Tanji.

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