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8 absurdos da ditadura chinesa de Mao Tsé-Tung

A Vida Chinesa (Foto: Reprodução)

 

Entre 1946 e 1949, uma guerra civil se alastrou pela China. De um lado, as forças monárquicas da dinastia Qing; do outro, os rebeldes comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung. Os comunistas saíram vitoriosos do conflito, com Mao, autointitulado Grande Timoneiro, assumindo a liderança do país. Os remanescentes da dinastia Qing se refugiaram na ilha de Taiwan, que até hoje é uma nação independente da China.

Derrotada a monarquia, Mao seguiu com um plano de reformas que incluía, entre outras medidas, a coletivização das terras, a nacionalização de empresas estrangeiras e o controle estatal da economia.

Foi em meio a esse turbilhão político e militar que o desenhista Li Kunwu cresceu, acompanhando a ascensão, a estabilização e a derrocado do regime totalitário conduzido por Mao Tsé-Tung. Décadas depois de ter experienciado tudo isso, ele se aliou ao artista francês Philippe Ôtié para criar Uma vida chinesa (WMF Martins Fontes), obra em três volumes que apresenta uma visão mais humanizada da história da China comunista.

O primeiro volume, O tempo do Pai, conta os primeiros anos da ditadura de Mao. O segundo, O tempo do Partido, mostra o protagonista da história (um misto de ficção e autobiografia do autor Li Kunwu) enfrentando diversas dificuldades para ascender na estrutura do Partido Comunista da China, além de retratar a grande fome e a miséria que se alastrou pelo interior da nação. No terceiro e último volume, O tempo do Dinheiro, os autores retratam o período pós-Mao, o flerte com o capitalismo e a democracia, além da abertura chinesa ao capital estrangeiro.

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A saga idealizada por Li Kunwu é um prato cheio tanto para quem busca uma boa história de ficção, quanto para quem deseja se aprofundar na história da China. Diferentemente dos livros de História, os três volumes de Uma vida chinesa apresentam a vida exatamente como aconteceu naquela época, já que o autor viveu o período, o que dá um aspecto mais humanizado ao sofrimento do povo chinês e aos números, nomes e fatos que se tornaram um monte de letrinhas com pouco significado nos livros teóricos.

 (Foto: Reprodução)

 


Ao longo dos volumes da série, os autores exibem alguns dos muitos absurdos que caracterizaram o governo de Mao. Confira alguns deles:

1. A adoração a Mao Tsé-Tung era tão incentivada, que os pais eram premiados se os filhos recém-nascidos conseguissem dizer o nome do líder do Partido Comunista.

2. Em 1966, Mao deu início à Revolução Cultural, que tinha, entre outros objetivos, o intuito de fortalecer o partido entre as camadas jovens, neutralizar a oposição e apagar o passado da monarquia e dos proprietários de terra. É inestimável a quantidade de obras de arte perdidas nessa época, entre esculturas, pinturas, cerâmicas etc. Por isso é que os valores de pequenos vasos das dinastias da monarquia chinesa podem custar milhões de dólares.

3. Em meio às aulas e à doutrinação comunista nas escolas, os alunos eram levados a campos de treinamento militar, onde presenciavam e até podiam participar de testes com armas de fogo.

4. Nas escolas, as crianças também eram ensinadas a amar Mao Tsé-Tung acima de tudo, inclusive aos pais. Caso delatassem pais conspiradores, as crianças eram premiadas.

5. Para acelerar o crescimento da economia nacional, Mao ordenou que toda a madeira do país fosse cortada para que as fornalhas industriais fossem aquecidas. O resultado é que o país foi praticamente desmatado, preço pago até hoje e que faz a poluição ter níveis enormes na China. Ah, o serviço de lenhador era “voluntário” entre os camponeses, que deviam escolher entre cortar árvores ou encarar a prisão.

6. Pouco tempo depois, o Grande Timoneiro também ordenou que todas as peças metálicas fossem recolhidas pelo governo, para serem transformadas em matéria-prima. Assim, os chineses perderam joias que estavam há séculos em suas famílias, além de outros estimáveis objetos pessoais.

7. Caso conspirassem (ou supostamente conspirassem) contra o Partido, os chineses eram expostos em praça pública, caminhando com cartazes presos ao pescoço que especificavam seus crimes, e ficando à mercê da população e do exército, que podiam cuspir, ofender e agredir fisicamente os criminosos.

8. Os dazibaos, cartazes escritos à mão pela população, descreviam os crimes cometidos nas aldeias e povoados. As acusações iam de “adultério” e “prostituição” até “conspiração contra o Partido” e “apoio aos proprietários de terra”. É claro que com tanta liberdade para escrever o que quisessem, muitos extrapolavam e inventavam mentiras sobre pessoas de quem não gostavam. Imagine quantos não foram presos injustamente...

Uma vida chinesa I - O tempo do Pai; Uma vida chinesa II - O tempo do Partido; Uma vida chinesa III - O tempo do dinheiro, Li Kunwu e Philippe Ôtié — WMF Martins Fontes, 728 páginas (volumes somados) — R$ 49,90 (cada volume)

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