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8 péssimas decisões históricas motivadas por sexo

1. Solimão, o Manipulado

(Wikimedia Commons/Domínio Público)

O décimo sultão do Império Otomano tinha um harém, como todo bom sultão. Conhecido como Solimão, o Magnífico, ele quebrou convenções sociais ao tornar sua concubina favorita sua esposa oficial e principal. Aleksandra Lisowksa era, além de tudo, estrangeira – você talvez a conheça por seus outros três nomes, Roxelana, Khourrem ou Hürrem.

Ela ficou famosa por instigar disputas políticas entre os assessores do rei. E, naquela cultura, ninguém saía do cargo demitido – só assassinado mesmo. A primeira morte relacionada com Roxelana foi a do assessor Ibrahim, que o sultão substituiu por Rustem, opção que teria sido influenciada pela esposa.

Só que a coisa degringolou depois desse casamento impulsivo: Mustafa, o primogênito e herdeiro do sultão, não era filho de Roxelana. Ele e Rustem foram para a guerra contra a Pérsia – e de lá, Rustem mandou vir boatos de que o exército ansiava pelo momento em que Mustafa virasse sultão, porque Solimão não tinha mais idade para liderá-los.

Com medo de ser usurpado pelo próprio filho, Solimão pediu que ele voltasse e se apresentasse para se defender contra as “falsas acusações”. Mustafa voltou e acabou estrangulado por encomenda paterna.

Justiça seja feita à Roxelana: na época, não existia política de sucessão no Império. Se um dos filhos (geralmente o primogênito) subia ao trono, os irmãos eram estrangulados – qual outro jeito para evitar disputas, não é?

Roxelana só estava querendo proteger seus três filhos. Não deu muito certo: o mais velho, de saúde frágil, morreu logo depois do assassinato do meio irmão (a tradição afirma que foi de desgosto). Os sobreviventes, Selim e Bayezid, disputaram o trono até um ordenar a morte da família inteira do outro.

2. A vingança da esposa (e do amante)

Um dos grandes piratas a invadir os mares chineses entre o século 18 e o 19, Cheng I tinha um relacionamento amoroso com um de seus comandados, Cheung Po Tsai. Sem poder se casar com ele, pediu em casamento Shi Xianggu. Ela era prostituta e especialista em intriga política, graças aos segredos que adquiria com clientes importantes. Enquanto isso, Cheng adotou Cheung Po Tsai como filho e tornou-o líder da sua frota.

Shi Xianggu, que ficou conhecida como Madame Ching, se aproximou do enteado e de todos os marinheiros do marido. Juntos, eles conseguiram recrutar cerca de 150 mil piratas para o seu grupo.

Pouco depois, Cheng morreu, afogado em circunstâncias muito suspeitas. Foi o timing ideal para que Madame Ching assumisse seu lugar e dominasse a pirataria do Pacífico. Sabendo que precisava de uma figura masculina ao seu lado, se tornou o amante (e depois esposa) do enteado, Cheung Po Tsai.

Em poucos anos, a dupla começou a perder controle da frota. Fizeram um acordo com o imperador chinês e foram perdoados pela pirataria. A Madame continuou contrabandeando ópio e trabalhando no meio. Já Cheung Po virou a casaca: passou a perseguir e destruir todos os bandos piratas e contrabandistas que encontrou pela frente (mas também morreu jovem, em circunstâncias desconhecidas).

3. A sedução assassina

(Wikimedia Commons/Domínio Público)

John Hinckley não tinha as ideias no lugar. Especialistas até hoje não chegaram a um consenso sobre seu diagnóstico, mas suas atitudes se encaixavam na erotomania, o desejo sexual e romântico obsessivo por alguém inacessível – e a certeza de que esse desejo é correspondido.

Tudo começou quando Hinckley assistiu Taxi Driver, filme estrelado por Robert De Niro. Jodie Foster, com apenas 14 anos, interpretava uma prostituta menor de idade.

Hinckley ficou obcecado pela atriz. Quando ela foi fazer faculdade em Yale, ele caminhava perto do campus – e chegou a ligar para ela várias vezes. Mas, já que ela não pareceu se interessar muito por ele, surgiu sua grande eureka. Jodie só se atrairia por alguém em pé de igualdade. Então, Hinckley resolveu entrar para a história. Como? Assassinando o presidente dos EUA, é claro.

Ele tentou com Jimmy Carter, mas foi detido. Finalmente chegou às vias de fato em 1981, atirando em Ronald Reagan, recém eleito. Deu errado: Reagan sobreviveu, Hinckley foi preso e internado por mais de 30 anos, ainda que tenha sido julgado inocente por insanidade. Mesmo no hospital psiquiátrico, ele conseguiu contrabandear material sobre sua paixão.

Com tudo isso, Hinckley ainda ficou decepcionado pela falta de reciprocidade de Jodie depois do que ele chamou de “maior demonstração de amor da história do mundo”. Nem que Hinckley fosse são e equilibrado ia adiantar: anos depois, Jodie Foster assumiu que é lésbica.

4. O alpinista político

O polonês Stanislaw Poniatowsk foi escolhido como rei da Polônia em uma época em que a política daquele local elegia seus reis, ao invés do trono ser herdado por dinastias a fio. Pode parecer muito civilizado, mas a Polônia era um dos reinos mais frágeis do século 16 e suas terras eram disputadas pela Rússia e pela Prússia, do que derivou a Alemanha.

Poniatowsk passou a maior parte da vida em São Petesburgo. Lá, conheceu uma nobre que viria a se tornar a imperatriz Catarina II – e foi seu amante desde os 23 anos. Ele tentou tirar vantagem do relacionamento, buscando o apoio de Catarina para um golpe de estado contra o rei da Polônia à época. Ela recusou inicialmente, mas, depois da morte do monarca, topou usar toda sua influência para colocá-lo no trono.

O que Stanislaw não sabia é que ela esperava que seu reinado enfraquecesse ainda mais a Polônia, e a tornasse completamente dependente do Império Russo. Foi exatamente o que aconteceu. Incapaz de conter as tensões na política externa, Stanislaw doou um terço do país aos inimigos para evitar a guerra. Depois mais um. Depois o último pedaço do seu território. Com isso, o reino deixou de existir – e Stanislaw ficou famoso como último rei polonês.

Mas ele não era apenas um joão-bobo manipulado por Catarina II: o homem tentou lutar, fortalecer o reino, aprovar uma Constituição e até apoiou uma revolta nacional. Sua amante ficou tão possessa que mandou uma escolta para acompanhá-lo até São Petersburgo, onde permaneceu, rejeitado e em prisão domiciliar, até o fim da vida.

5. O rei breve (e meio nazista)

(Wikimedia Commons/Domínio Público)

Edward VIII, tio da rainha Elizabeth, era um herdeiro do trono do Reino Unido que desagradava todo mundo. Até o pai dele teria dito: “quando eu morrer, esse menino vai se arruinar em 12 meses”.

Edward gostava de se meter na política, ao contrário da tradição de não intervenção da família real inglesa. Mas, mais que isso, ele curtia mulheres: de prostitutas a senhoras casadas, Edward se encheu de amantes desde a juventude.

E é claro que isso não mudou quando ele foi coroado. Edward conheceu Wallis Simpson, uma americana que já estava no segundo casamento e a caminho do próximo divórcio (eles foram apresentados por outra amante casada de Edward, Lady Furnes). Ninguém queria que a moça fosse rainha – nem o público, nem o parlamento, nem a família real.

Até os biógrafos de Edward dizem que a relação dos dois era um tanto esquisita. Wallis tratava Edward com descaso e enchia ele de ofensas. E o rei gostava. Começou a correr a história, que era opinião da própria mãe do rei, de que Wallis manipulava o monarca usando seus “desvios sexuais”. Tradução: o rei curtia sadomasoquismo. Tipo 50 Tons de Cinza, mas com gêneros invertidos.

Edward decidiu casar com a moça que apoiava seus gostos peculiares. E começou a crise institucional: os primeiros ministros do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da África do Sul ameaçaram renunciar no minuto em que o casamento acontecesse. Uma crise dessas em uma Europa tensa (apenas 3 anos antes da 2ª Guerra começar) deixaria a Inglaterra muito vulnerável.

A oposição era mais que política: nem a lei inglesa nem a Igreja Anglicana reconheciam divórcios que não fossem justificados por adultério. E o primeiro divórcio de Wallis tinha sido por “diferenças emocionais”. Ou seja: se eles casassem, seriam acusados de bigamia.

Edward até tentou segurar o trono, mas não teve jeito. Precisou abdicar em favor do irmão Albert, que virou o rei George VI, pai de Elizabeth II. Edward passou o resto da vida sendo condenado socialmente – mas há males que vêm para o bem. O ex-rei era fã de Hitler. Foi para a Alemanha em 1937, fez todas as saudações nazistas na frente da imprensa e foi fotografado apertando a mão de Adolf. Este depois afirmou que “a abdicação [de Edward] é uma perda séria para nós. Tenho certeza que alcançaríamos relações amigáveis por meio dele. Se ele tivesse ficado, tudo seria diferente”. Pensando bem, obrigada, Wallis!

6. Festa estranha com gente esquisita

Ainda falando sobre a 2ª Guerra, o senador David I. Walsh era um dos poucos políticos americanos a se opor contra a iminente entrada dos EUA no conflito. Walsh começou a ser pressionado – até por veículos de imprensa pró-intervenção, como o New York Post.

O jornal conseguiu confirmar com o dono de um bordel masculino que o senador fazia visitas frequentes ao local. Até aí, sem grandes problemas. O desastre foi pura coincidência: o prostíbulo calhou de ser escolhido como ponto de encontro por espiões nazistas. Walsh até conseguiu provar ao FBI que não tinha batido papo com nenhum inimigo do país, mas o escândalo nunca foi totalmente silenciado.

7. O Pai Fundador (e ingênuo)

As burradas sexuais parecem estar nas raízes da política americana. Hamilton, um dos pais fundadores da nação, estava na Filadélfia quando uma mocinha de 23 anos, Maria Reynolds, mais de uma década mais nova que ele, veio lhe pedir ajuda e dinheiro por ter sido abandonada pelo marido.

O político, na época secretário do Tesouro Nacional, foi até a casa dela entregar a grana. Chegando lá, ela pediu para ele subir, e disse que estava disposta a mais do que conversas sobre ajuda financeira. E o cara, que também era casado, não desconfiou de nada esquisito. O affair já durava um ano quando o marido dela (que obviamente sabia de tudo) apareceu. Conhecendo o quanto Hamilton tinha a perder se ele fosse a público, pediu uma recompensa monetária. E passou a ganhar mesada do amante da esposa.

Nessa altura, a coisa já estava esfriando, e Hamilton queria pular fora. Mas sem pensar que a amante poderia estar orquestrando tudo junto do marido, atendeu às cartas românticas dela que pediam que reatassem.

Mas calma, fica pior: James Reynolds, o marido, foi preso. Ele fazia parte de um esquema de corrupção que desviava pagamentos a soldados veteranos que participaram da Revolução Americana (da qual Hamilton era um dos principais nomes). Durante as investigações, ele tentou uma delação premiada, mostrando as notas de pagamento de Hamilton – não para revelar o affair, mas para dizer que Hamilton era seu cúmplice.

O político admitiu o caso e foi inocentado, mas as cartas foram entregues a seu rival, Thomas Jefferson. O futuro presidente vazou tudo para a imprensa. A resposta de Hamilton foi honesta: uma publicação de 95 páginas admitindo os detalhes mais sórdidos do relacionamento, mas negando a corrupção. Ele não foi processado, mas a reputação já era.

Deixou de ser um candidato relevante para a presidência. Seu filho, aluno prodígio de Columbia, se meteu em um duelo em sua defesa quando um colega de classe ofendeu as opiniões e a honra do pai. Morreu – e o trauma levou a filha mais velha de Hamilton a um surto psicótico que a deixou internada em uma instituição psiquiátrica.

8. Desventuras em série

O imperador Xuanzong de Tang foi um dos monarcas chineses com o maior número de amantes.

Uma série de meninas jovens moravam na residência imperial. Como a imperatriz oficial era infértil, Xuanzong teve um herdeiro através da consorte Wu, sua favorita. Tempos depois, ele resolveu presentear o filho com uma das “quatro mulheres mais bonitas da China”, Yang Yuhuan, como esposa.

Com a morte da consorte Wu, Xuanzong, enlutado, atraiu-se pela beleza da esposa do filho. Pediu então que ela abdicasse do casamento para virar uma espécie de freira taoísta. Depois que o imperador arranjou uma nova companheira para seu herdeiro, trouxe Yang de volta e ela se tornou a nova amante favorita.

A essa altura, o imperador já estava mais velho e cansado de política. Gostava mais de passar o tempo com a consorte Yang. A família dela começou a ganhar vantagens com isso: um primo se casou com a filha favorita do monarca. Outro, Yang Guozhong, recebeu altos cargos políticos e militares.

O problema foi que esse primo se indispôs com uma série de grandes generais do império. Toda vez que eles pediam que o imperador punisse Yang Guozhong, a amante intervinha em seu favor. Completamente seduzido por ela, o governante sempre aceitava deixar passar. A situação foi ficando insustentável e as provocações só aumentavam.

Começou então uma das maiores rebeliões do século 8. O próprio imperador precisou fugir de sua residência e se exilar. Mas, no momento em que estava saindo de casa, a guarda real se revoltou. Eles se recusaram a dar passagem caso o imperador não concordasse em exterminar o que achavam que era a raiz da rebelião: a consorte Yang.

Xuanzong aquiesceu e permitiu que os militares estrangulassem a amada em um templo budista. Depois disso, as tropas imperiais conseguiram controlar a rebelião. Algum tempo depois, Xuanzong abdicou. Ele se arriscou uma última vez ao tentar reaver o corpo da amante para lhe dar um enterro honorável, mas não foi possível: o cadáver já estava em decomposição.

O misto de sedução, romance e tragédia foi registrado no ano 806 no poema Canção do Eterno Arrependimento.

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