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Por que mais séries da Netflix podem ser canceladas

Sense8

É normal haver um período de luto depois que uma série é cancelada inesperadamente. Mas, quando a Netflix anunciou o fim de Sense8, parecia que estávamos diante de uma tragédia de grandes proporções: memes amenizaram a revolta expressada no Twitter, textões pipocaram no Facebook, petições online foram criadas e até protestos foram “organizados”.

Olha, talvez este seja o momento certo de praticar um pouco de desapego, pois outras séries podem ter o mesmo destino.

Por que cancelar?

Não é por sacanagem, não é por razões políticas ou ideológicas, não é por nenhum motivo que possa ser alimentado por teorias da conspiração. Apesar de estar fortemente associada a uma imagem de inovação, a Netflix é uma empresa que, como tal, está sujeita a pressões de investidores, tem que rever gastos periodicamente e, às vezes, precisa tomar decisões que parecem conflitar com a velha máxima que diz que em time que está ganhando não se mexe.

Se Sense8 tivesse sido produzida por HBO, Fox ou qualquer outra companhia tradicional do segmento, talvez — e apenas talvez — a lamúria pelo cancelamento não tivesse sido tão grande.

Porém, a série foi promovida por um serviço que livrou muita gente da supremacia da TV por assinatura, que cobra preços acessíveis, que não mostra comerciais e dá liberdade para assistirmos ao conteúdo quando e como quisermos.

Marco Polo

Além disso, especificamente no caso de Sense8, houve um movimento de identidade e representação muito forte. A série mostra pessoas que, apesar de viverem em partes diferentes do mundo, terem culturas diferentes e estarem inseridas em classes sociais diferentes, são ligadas por uma força que se sobrepõe a quaisquer distinções.

Mesmo distantes, elas se unem para superar seus problemas, manifestar a sua sexualidade (muitas vezes reprimida) e buscar respostas para questões existenciais que muita gente do mundo real tem. Isso pode explicar o porquê do cancelamento de Sense8 ter gerado muito mais buzz do que a descontinuação de Marco Polo e The Get Down, por exemplo.

Está claro que Sense8 gerou muito mais engajamento do que as séries da Netflix canceladas antes. Se é assim, não seria o caso de haver mais uma temporada para que pelo menos pudéssemos ter um desfecho da história?

A Netflix é diferentona, mas não é tanto assim

Apesar de orquestrar um modelo de negócio disruptivo, a Netflix tem muitas semelhanças com canais de TV e produtoras de séries tradicionais. Para começar, ela precisa de muita audiência. Muita. O conteúdo oferecido, independentemente de ser próprio ou licenciado, tem que resultar na manutenção e no aumento da base de usuários, afinal, a Netflix só obtém receita com assinaturas.

Só a própria Netflix é capaz de calcular o retorno com cada série. Se há um desequilíbrio nessa conta, a companhia já tem um bom motivo para cancelar produções e priorizar outras. Peguemos como exemplo The Get Down: de acordo com o Variety, a série não teve número elevado de espetadores, custou mais de US$ 120 milhões e enfrentou vários problemas por trás das câmeras que atrasaram a sua entrega. Aí fica difícil, né?

The Get Down: sobrou elogios, faltou engajamento

The Get Down: sobrou elogios, faltou engajamento

Não está claro quanto a Netflix gastou com Sense8 (fala-se em US$ 100 milhões por temporada), mas não há dúvidas de que a série teve mais audiência do que The Get Down. Mesmo assim, pode ser que os números (que só a Netflix conhece) não tenham sido suficientes. Nem o clamor nas redes sociais pode ter tido significância: às vezes o barulho que vem dali parece alto, mas é só eco.

Logo após o cancelamento de The Get Down, o fundador e CEO da Netflix Reed Hastings deu uma entrevista à CNBC. Ele explicou que cancelamentos são necessários para a saúde da companhia e deu a entender que, sim, outras produções podem seguir pelo mesmo caminho.

Hastings também explicou que nunca há um único isolado para o cancelamento, mas uma combinação de fatores, com a relação entre audiência e base de assinantes sendo muito importante, mas figurando apenas como um deles.

E os US$ 6 bilhões para investir em conteúdo?

Em fevereiro, Hastings esteve no Brasil para reforçar aquilo que já sabíamos: a Netflix vai apostar cada vez mais em conteúdo original vindo de vários países, inclusive daqui. Só para 2017, a companhia reservou US$ 6 bilhões para trazer conteúdo licenciado e produzir material exclusivo. A meta é entregar mil horas de produções originais só neste ano.

Reed Hastings

Reed Hastings

Por incrível que pareça, a principal razão para cancelamentos pode estar aí. A Netflix de hoje tem presença global e sabe que tamanho alcance vai fazer a concorrência reagir e produtoras dificultarem o licenciamento. Só para dar um exemplo, séries da Fox sairão do catálogo da Netflix a partir de julho porque não houve acordo de renovação.

Apostar em conteúdo próprio é uma maneira de evitar o esvaziamento do acervo e, principalmente, atrair assinantes com produções que só podem ser encontradas ali. Além disso, essa abordagem ameniza outra dificuldade que a Netflix enfrenta: como os licenciamentos são regionais, alguns países têm mais filmes e séries do que outros.

Ainda à CNBC, Hastings disse que, para essa estratégia funcionar, é necessário arriscar mais e tentar coisas que, à primeira vista, podem parecer insanas. Essa dose de ousadia é que permitiu, por exemplo, que 13 Reasons Why fosse produzido e virasse um grande sucesso: “a séries nos surpreendeu; foi uma ótima produção, mas não sabíamos se ela daria certo”, disse.

Hastings, se você está ouvindo esta fita, você é um dos porquês... dscp

Hastings, se você está ouvindo esta fita, você é um dos… dscp

Stranger Things é outro exemplo. As ideias acerca da séria são audaciosas, mas a Netflix não tinha certeza se funcionaria. Só arriscando para saber. Deu certo. Outras produções, porém, não atingiram os parâmetros de sucesso esperados. É o caso de Marco Polo — considerada o primeiro grande fiasco da Netflix —, The Get Down e, mais recentemente, Sense8.

E deve acontecer com mais produções. US$ 6 bilhões (para considerar só o orçamento de 2017) é muito dinheiro, mas não é sinônimo de grana sobrando. Como os montantes investidos precisam dar retorno, a Netflix se vê obrigada a direcionar recursos para o que está funcionando e para novas apostas.

Narcos

A parte irônica dessa história é que a Netflix caiu na graça de muita gente não só por criar produções, mas também por resgatar séries que foram canceladas (injustamente?), como Arrested Development e Fuller House. Quem vai salvar as séries canceladas da Netflix, então?

Bom, faz parte do jogo. Por mais que tenha uma imagem descolada, a Netflix é uma empresa como qualquer outra. Tem que haver receita, tem que haver lucro.

Pode até ser que a comoção faça a companhia desistir de algum cancelamento, mas ela apenas o fará se perceber potencial de retorno. A Netflix só conseguiu aprovar o orçamento de US$ 5 bilhões do ano passado e os US$ 6 bilhões de 2017 após convencer os investidores de que executa planos ousados, mas sem tirar os pés do chão. A pressão por partes deles é grande e permanente.

Mas ao menos há um sinal positivo que, pelo calor do momento, pode não estar muito visível. Reed Hastings sinalizou que mais produções podem ser canceladas — o risco de um fim repentino é da natureza de qualquer série. Mas ele também ressaltou que a maioria delas atinge os resultados esperados. Não precisa cancelar a sua assinatura.

Por que mais séries da Netflix podem ser canceladas

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