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13 curiosidades sobre a literatura brasileira que você talvez não saiba

Estátua de Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro (Foto: Okitron/Wikimedia Commons)

 

A literatura brasileira é muito apreciada ao redor do mundo, mas o que pouca gente sabe é que existe uma porção de fatos bizarros que permeiam as histórias dos livros e de seus escritores.

GALILEU listou, com ajuda do autor de História Bizarra da Literatura Brasileira (Editora Planeta, R$ 30), Marcel Verrumo, os fatos mais curiosos — e engraçados — que todo fã de livros vai gostar de saber.

Pero Vaz de Caminha queria trocar sua carta por um favor do rei
A grande carta do “descobrimento” do Brasil não era para ter sido escrita por Pero Vaz de Caminha. Na realidade, o escrivão oficial da frota era Gonçalo Gil Barbosa — que acabou não chegando ao Brasil. Com isso, Caminha escreveu detalhadamente a carta, que foi selecionada por Pedro Álvares Cabral e enviada ao então rei de Portugal, Dom Manuel.

Ao final do documento, havia um pedido para que o genro do escrivão, Jorge de Osório, fosse libertado do exílio por ter roubado uma igreja e ferido um sacerdote. A priori, D. Manoel negou, mas após a morte de Caminha, o governante acabou libertando Osório.

Fac-símile da carta original de Pero Vaz de Caminha (Foto: Wikimedia Commons)

 


Ninguém sabe direito se Gregório de Matos realmente existiu
A data de nascimento do poeta, também conhecido como Boca do Inferno, permanece desconhecida: especialistas a situam entre 1623 e 1636 — data nada precisa. Outro fato é que a biografia do autor tem muitas lacunas, o que gera questionamentos sobre a real existência de Gregório de Matos.

Como se não bastasse, não se sabe o que realmente foi escrito pelo poeta (se é que ele existiu). Isso porque publicações ainda não eram permitidas na Colônia naquela época, logo, seus textos eram transmitidos oralmente. Ninguém sabe se o que restou e foi registrado foi de fato do Boca de Inferno ou de outros autores satíricos e infames da época.

Livro com poemas de Gregório de Matos publicado em 1775 (Foto: Wikimedia Commons)

 


O termo “brochar” veio dos livros de brochura
Os livros eróticos eram impressos em formato brochura, aquele mais mole. Quando lia um desses livros, um sujeito olhou para a encadernação — e talvez para o próprio órgão — e associou o livro mole ao pênis flácido. “Da associação, surgiram a expressão ‘pênis brochado’, ‘homem brocha’ e o verbo ‘brochar’”, conta Marcel Verrumo.

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Gonçalves Dias foi a única vítima do naufrágio da embarcação que o trazia de volta ao Brasil
O poeta romântico se via muito doente quando resolveu viajar para a Europa em uma tentativa de se recuperar. Ao chegar na costa da França, foi dada a notícia de que havia um homem morto a bordo e que essa pessoa seria Gonçalves Dias. Foi declarado luto oficial no Brasil e os fãs do autor ficaram muito tristes — até que a verdade foi revelada: ele não estava morto!

Após passar cerca de dois anos em solo europeu, mas não conseguir se curar, o poeta resolveu retornar. Gonçalves Dias passou a maior parte do tempo isolado na viagem, pois estava muito fraco para perambular pela embarcação. O problema é que, quando o navio já estava próximo à costa do Maranhão, um banco de areia surgiu e o barco colidiu. Desesperada para se salvar, a tripulação fugiu afobada e esqueceu Gonçalves Dias, que morreu afogado.

O escritor Gonçalves Dias (Foto: Domínio público/Creative Commons)

 


A primeira publicação de uma mulher no Brasil foi só no século 19
Nísia Floresta foi a primeira mulher a ingressar na imprensa brasileira e a ter o nome assinando um livro no Brasil. A autora nasceu no Rio Grande do Norte e já aos 14 anos mostrou a que veio: fugiu da casa do marido e pediu abrigo para os pais, que tiveram que se mudar para Pernambuco.

As obras de Floresta falavam sobre o machismo na sociedade, mas não só isso. Ela também escreveu livros sobre índios e negros de forma empática e humanista, mostrando-os não como heróis, mas como vítimas da exploração colonial. Hoje Nísia Floresta está esquecida, mas teve papel crucial na história como uma das primeiras feministas do país.

A escritora Nísia Floresta (Foto: Acervo da Biblioteca Nacional/Wikimedia Commons)

 


Para José de Alencar, a escravidão contribuía para o progresso humano
O consagrado autor brasileiro defendeu a escravidão em uma série de cartas enviadas para o Imperador Dom Pedro 2º. Para ele, o sistema escravocrata ajudava no progresso humano e seu fim culminaria em uma grande crise econômica.

Os documentos históricos, entretanto, foram deixados de lado e acabaram caindo no ostracismo. Outra curiosidade é que as cartas tinham um tom um pouco arrogante, pois José de Alencar acreditava saber mais sobre política economia que o próprio rei.

Olavo Bilac se envolveu no primeiro acidente de carro do Brasil
O poeta parnasiano Olavo Bilac deu um “rolê” no carro de José Patrocínio, jornalista da época que havia comprado um automóvel assim que eles começaram a chegar no país. O problema é que Patrocínio convidou o poeta para dirigir o carro — coisa que obviamente ele não sabia fazer, já que não haviam carros no Brasil.

No meio do passeio, Bilac fez uma curva em “alta” velocidade, 4 km/h, e bateu em uma árvore. Os dois homens saíram ilesos, mas o carro teve perda total.

O assassino de Euclides da Cunha matou também o filho do autor
Ao descobrir que estava sendo traído, Euclides da Cunha saiu de casa determinado a “matar ou morrer”. Encontrou o amante da esposa, Anna, em casa e ambos trocaram tiros: Euclides foi o primeiro a acertar, mas foi Dilermando, o “outro”, que deu o tiro certeiro e matou o autor de Os Sertões.

Anos depois, Euclides da Cunha Filho atentou novamente contra Dilermando que, não querendo matar o filho da amada, tentou fugir, mas como sua vida estava em jogo atirou e matou o filho de Euclides da Cunha. Depois disso, o homem foi julgado — não só pelo júri, mas pela sociedade brasileira —, mas foi absolvido.

Bico de pena de Euclides da Cunha (Foto: Domínio público/Wikimedia Commons)

 

Graciliano Ramos foi prefeito e multou o próprio pai
Graciliano Ramos viveu na cidade alagoana de Palmeira dos Índios e foi diretor de uma das escolas da cidade. Após conquistar muita popularidade na região, foi convidado a se candidatar à prefeitura da cidade.

O engraçado é que o autor foi eleito e era muito rígido: criou um código de postura moral com 82 artigos, dentre eles a proibição de dormir ou criar animais na rua. O pai do escritor de Vidas Secas, Sebastião Ramos, na época criava gado em um terreno baldio e acabou sendo multado pela prefeitura.

Guimarães Rosa ajudou a esposa a salvar judeus do Holocausto
Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa conheceu Guimarães Rosa na embaixada brasileira em Hamburgo, enquanto ambos trabalhavam lá no fim da década de 1930. Com a ajuda do marido, Aracy bolou um plano para transportar judeus que viviam na Europa nazista para o Brasil — mesmo com o então presidente Getúlio Vargas decretando a ilegalidade do ato.

Guimarães Rosa falsificava passaportes, enquanto a esposa dava um jeito de fazer o chefe assinar a papelada sem perceber que estava libertando parte da população judia. Aracy chegou a salvar quase cem pessoas e, em 1982, teve seu nome gravado no Museu do Holocausto, em Israel.

Carlos Drummond de Andrade achava que a homossexualidade era um desvio
O grande poeta brasileiro declarou mais de uma vez que acreditava que o “homossexualismo” (termo errado, já que o sufixo “ismo” denota doença) era um desvio da sociedade. Para ele, ser gay era coisa de garotos que eram atraídos pela vida noturna e boêmia.

Além disso, Drummond afirmou em entrevista que tinha certa repugnância à homossexualidade, e é até por isso que o tema aparece em apenas um de seus poemas, Rapto, do livro Claro Enigma. O que consola é que ao fim do texto o autor diz que essa é “outra forma de amar no acerbo amor”.

Paulo Coelho e Raul Seixas eram amigos e produziram um álbum juntos
Quando jovem, Paulo Coelho despertou a curiosidade de Raul Seixas que, até então, não era famoso. Se tornaram amigos após o cantor ler um artigo de Coelho sobre ufologia na revista A Pomba e ficar curioso para conhecer o autor do texto. Tempos depois, os dois fizeram um álbum juntos, que foi batizado de Krig-ha, Bandolo!. Raul cantava e Paulo havia escrito algumas canções e feito ilustrações.

O problema se deu em maio de 1974, quando ambos foram presos pela ditadura para “explicarem melhor” do que se tratava o disco. O cantor foi rapidamente liberado, mas o escritor teve de ficar mais tempo contando sobre o processo de criação do álbum, quando relatou que sua namorada, Adalgisa, havia participado da produção dos desenhos.

Após horas de interrogatório, o casal foi liberado, mas logo preso de novo e torturado. Não se sabe ao certo o que ocorreu com Adalgisa e Paulo, mas a situação foi tão conturbada e estressante que os namorados acabaram rompendo depois da prisão.

Rachel de Queiroz apoiou a Ditadura Militar
A jovem Rachel de Queiroz flertava com a esquerda e até se aproximou do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a década de 1930. Entretanto, quando teve seu livro O quinze criticado pelo partido desiludiu-se e afastou-se da esquerda, o que a fez simpatizar mais com a direita da época.

No início da ditadura, Rachel cedeu sua casa para políticos e intelectuais planejarem o golpe militar. Ela participou pintando folhetos e até se filiando à Aliança Renovadora Nacional (Arena).

Rachel de Queiroz entre os escritores Adonias Filho e Gilberto Freyre (Foto: Wikimedia Commons)

 

Em 1991, quando participou do programa da TV Cultura Roda Viva, Caio Fernando de Abreu questionou o posicionamento da escritora, ao que ela replicou: “Gostaria de responder a você que nós estamos em um país democrático, eu respeito as suas posições e espero que você respeite as minhas”.

(com informações de História Bizarra da Literatura Brasileira, de Marcel Verrumo)

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* Com supervisão de Giuliana de Toledo.

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