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Há mais água na Lua do que os cientistas imaginavam

Calma, a imagem que você tem da Lua – um grande descampado empoeirado e cheio de crateras – permanece valendo. A Lua é essencialmente seca – mas contém muito mais água do que se esperava. Um estudo publicado na Nature Geosciences revelou reservatórios de água espalhados pela superfície – mais especificamente, na camada geológica logo abaixo dela, o manto lunar.

Lá em cima, duas moléculas de hidrogênio associadas a uma de oxigênio apareceram pela primeira vez em fragmentos de vidro vulcânico. Esses vitrais lunares foram trazidos para a Terra no começo da década de 1970 (pelas missões Apollo 15 e 17), mas notou-se que havia água neles apenas em 2008. Três anos depois, descobriu-se que os fragmentos de vidro continham tanta água quanto alguns basaltos, tipo de rocha encontrada no manto da Terra. O objetivo dos cientistas passou a ser, então, comprovar se o manto lunar era mesmo tão molhado quanto o terrestre.

A princípio, isso pode parecer uma tarefa simples. Identificando os comprimentos de onda absorvidos e refletidos pela superfície lunar, dá para ter uma ideia de quais minerais estão em sua composição – e assim, saber da possibilidade de água. Mas havia um problema pela frente: o Sol também aquece a Lua. O calor refletido em forma de radiação atrapalha o diagnóstico, mascarando os sinais de água armazenada em rochas da superfície.

Mas um programa de computador criado por Ralph E. Milliken e Shuai Li, pesquisadores da Universidade Brown, encontrou uma forma de driblar esses efeitos. Isso os permitiu comparar as amostras das missões Apollo com as temperaturas de superfície cada área da Lua. Depois disso, recorreram aos reservatórios mapeados pela Chandrayaan-1, expedição indiana que orbita a Lua desde 2008.

A análise desses reservatórios, que nunca tinham sido examinados por nenhuma expedição, mostrou há muito mais vidros úmidos como aqueles detectados. Além dos pólos,  onde a Lua conta com água em forma de gelo, a água também pode ser acessada em reservatórios da superfície. Ou seja: as amostras das Apollo não foram casos isolados.

Antes de nos empolgarmos demais, é bom saber que toda essa água não está exatamente na forma líquida. Não há evidências de rios subterrâneos ou lençóis freáticos lunares, da mesma maneira que temos por aqui. Apesar disso, os pesquisadores defendem que a água possa ser extraída – e que exista quantidade suficiente para garantir o abastecimento de tripulações espaciais. Depois de minada da rocha, a água precisaria ser aquecida (para deixar o interior do vidro) e condensada, para ganhar forma líquida e estar pronta para o uso.

“Outros estudos já sugeriam a presença de água congelada nos polos lunares, mas esses novos depósitos são locais de acesso mais fácil. Qualquer coisa que diminua a necessidade dos exploradores lunares de levar muita água de casa já seria um grande passo à frente – e nossos resultados sugerem essa nova alternativa”, defendeu Miliken.

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