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Robôs do Face criam língua própria – mas calma, não é a revolução das máquinas

Há quase dois meses, em 14 de junho, o Facebook fez um anúncio oficial que animou fãs de inteligência artificial. Programas de computador seriam treinados para negociar com seres humanos e outras máquinas – alcançando acordos e decisões benéficas para ambos. Não estamos falando de imbróglios diplomáticos entre países do Oriente Médio, é claro, mas de situações bem mais simples. Por exemplo: eu tenho três livros, você tem duas bolas. Eu gosto mais de bolas, posso ficar com uma se te der um livro?

Deu certo: durante as negociações, voluntários humanos não souberam diferenciar interlocutores humanos das máquinas. Segundo a página em que a pesquisa foi divulgada, “os robôs não só falam inglês como também pensam de forma inteligente no que vão dizer.”

O próximo passo foi colocar os programas de computador – chamados Bob e Alice – para chegar a acordos entre si, sem intervenção humana. Deu mais certo ainda. Tão certo que eles criaram sua própria linguagem para facilitar o processo, um inglês modificado que, a SUPER admite, dá um pouco de medo. Em tradução livre:

Bob: Eu posso eu eu todo o resto

Alice: bolas tenho zero para mim para mim para mim para mim para mim para mim para mim para mim para

Bob: você eu todo o resto

Alice: bolas tenho uma bola para mim para mim para mim para mim para mim para mim para mim para mim

A Alice parece um pouco obcecada consigo mesma, mas calma, essa nova língua não é a revolução das máquinas. Acontece o seguinte: quando um robô desse tipo fala com um ser humano, ele precisa usar inglês padrão (ou qualquer outra língua) para ser entendido e levar a conversa até o fim. Por outro lado, quando ele fala com outro robô, também inteligente, ambos percebem que não é necessário acertar a gramática o tempo todo – e começam a pegar atalhos linguísticos e simplificar expressões para facilitar o processo.

De fato, para um cérebro de silício uma língua humana não é o melhor jeito de passar uma informação. Da mesma forma que você com 13 anos no ensino fundamental, o robô não entende a necessidade de conjugar verbos, adotar regras que têm exceções, decorar dois tipos de particípio ou colocar uma crase quando o “a” preposição se une ao “a” artigo. Isso é capacidade de processamento desperdiçada, que poderia ser usada para cumprir a missão mais rápido.

As repetições da expressão “para mim” na transcrição ali em cima – que podem parecer uma mensagem cifrada sobre a dominação do mundo – na verdade são uma versão improvisada de taquigrafia (do grego tachys = rápido e grafia = escrita), nome de qualquer método de escrita que usa abreviações para aumentar a velocidade da comunicação. Um exemplo típico são os profissionais que digitam legendas closed caption em canais de TV aberta. Eles não usam um teclado de computador normal – que não é prático o suficiente – mas um aparelho com menos de dez botões, que você pode conhecer em mais detalhes neste vídeo.

Um robô taquigráfico pode ser útil em certas aplicações, mas não tem utilidade para o Facebook, que quer criar o oposto: computadores capazes de interagir com seres humanos da melhor maneira possível. Por isso, os pesquisadores responsáveis interromperam o experimento e programaram Bob e Alice para falar inglês o tempo todo, sem exceções – o que é bem diferente de tirar o computador da tomada em desespero porque um cérebro metálico maligno está surgindo por geração espontânea (algo mais próximo dos boatos que se espalharam por aí com a divulgação do diálogo).

“Os agentes vão sair da linguagem compreensível e inventar códigos para si próprios”, afirmou ao Gizmodo o pesquisador Dhruv Batra. “Se eu digo ‘the’ cinco vezes, você interpreta que eu quero cinco cópias de um item. Isso não é diferente da maneira como comunidades de seres humanos criam seus atalhos linguísticos.” 

Moral da história? Pode respirar fundo, Stephen Hawking. Apesar de suas predições apocalípticas frequentes, o mundo não vai virar Matrix tão cedo.

 

 

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