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Corvos conseguem lembrar que foram enganados até meses depois

Você é do tipo vingativo? Daquelas pessoas que até perdoam, mas não esquecem? Em caso de duas respostas afirmativas, há boas chances de seu animal interior – no melhor estilo Clube da Luta – ser o corvo. Um estudo publicado no periódico Animal Behaviour descobriu que tentar se aproveitar desses pássaros pretos não é uma atitude lá muito esperta. Bom, você pode até se dar bem, mas isso não impedirá que eles te marquem e percam a confiança por um tempo – até meses, se você der azar e resolver folgar com algum mais rancoroso.

Para testar a memória e a capacidade desses animais de registrar comportamentos negativos – e se lembrar com detalhes dos vacilos por um bom tempo – os cientistas treinaram sete exemplares de corvos (Corvus corax) para participar de um experimento clássico de laboratório. A ideia é que eles fossem capazes de fazer trocas baseadas na confiança: os bichos entregariam um determinado objeto para um humano, para depois receber uma recompensa de valor maior.

No começo do teste, os pássaros ganhavam um apetitoso pedaço de pão, alimento que, se não tivessem sido previamente educados, abocanhariam sem nem olhar para trás. No entanto, eles sabiam que poderiam ganhar dos humanos algo bem melhor: um generoso pedaço de queijo, que agrada ainda mais seu paladar, era a moeda de troca. Eles aprenderem que seriam bem recompensados e passaram a fechar esse trato com os pesquisadores, repetindo o processo de dar o pão para receber o queijo por várias vezes

Até que chegou o momento em que os corvos passaram a sofrer algumas decepções. Isso porque os cientistas começaram a não recompensá-los corretamente, quebrando o acordo em alguns momentos. Além de negar o pedaço de queijo, os pesquisadores passaram também a tomar o pão que estava com eles – e mastigar ambos na frente dos pássaros.

A trairagem foi repetida sob várias condições, inclusive na presença de outros espectadores emplumados. Os cientistas testaram, também, como outros dois corvos que não estavam sendo enganados reagiam à cena de injustiça. Os voyeurs, no entanto, não se lembraram do que viram em um segundo momento, quando tiveram contato com os mesmos pesquisadores – confiando no processo como se fosse a primeira vez.

Dois dias depois do início dos testes, todos os bichos enganados se recusaram por completo a fazer trocas com os traidores. Eles só repetiam o escambo da maneira como tinha sido ensinados com pesquisadores honestos, ou então com pessoas neutras – que não haviam entrado na história ainda.

Essa mesma postura se manteve até um mês depois, para a maioria dos bichos. Um deles, inclusive, se manteve magoado por incríveis dois meses – um tempo provavelmente maior do que você levou para esquecer do(a) ex, por exemplo. O fato é que, por mais que não possa parecer, por trás da aura escura dos corvos bate um coração – bastante sensível, inclusive.

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