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Baleia convive com golfinhos e aprende a falar como um deles

Na hora de montar o currículo, você diz ser fluente em quantas línguas? Além do tradicional inglês intermediário, falar, sei lá, italiano, costuma ser um baita diferencial, não? É por conta disso que, caso um dia precise arranjar emprego em algum canto do mar, esta beluga com certeza sairá na frente dos outros candidatos. Após um breve convívio com um grupo de golfinhos, ela também virou poliglota, passando não só a imitar a linguagem deles, mas a adotá-la como sua própria — como só um verdadeiro nativo seria capaz de fazer.

Toda a história começa em 2013, quando a jovem baleia tinha só quatro anos — a média de idade da espécie fica na casa dos 60. A transferência do cativeiro onde vivia com outras belugas ainda na infância poderia ter sido traumática, sobretudo julgando pelo início um tanto conturbado. Logo após um breve período de adaptação ao Dolphinarium Koktebel, museu aquático da Ucrânia que trabalha na reabilitação de animais marinhos, a beluga deixou de assustar os golfinhos-nariz-de-garrafa que moravam por lá. E, mais que isso, acabou se tornando íntima do grupo.

A fama dócil e sociável dos golfinhos-nariz-de-garrafa já foi bastante estudada pelos cientistas. De tão grande, a simpatia desses bichos chegou a ganhar as telas de TV nos anos 1960. Os mais antigos devem se lembrar da história de Flipper, golfinho voador super-inteligente que estrelou filmes e séries. O que mais surpreendeu, no caso da beluga, foi a rapidez com que a nova integrante foi aceita no grupo. Bastou dois meses para que a baleia deixasse de lado seu própria som e começasse a imitar aquela voz característica dos golfinhos.

Com o material gravado pelos pesquisadores, daria para fazer uma verdadeira epopeia em golfinhês: foram, ao todo, 90 horas de áudio. Logo nos primeiros dias de museu, a baleia já conseguia reproduzir alguns sons de seus companheiros. Ao fim de 90 dias de intensivão, ela já tinha o novo idioma na ponta da língua, e o adotava, inclusive, como se fosse sua “língua materna”.

Graças ao seu vocabulário extenso, desenvolveu a habilidade de reproduzir cantos únicos, utilizados em ocasiões bem específicas. Era como se, igual os golfinhos fazem, a baleia também chamasse seus colegas de museu pelo nome. Um ano depois da mudança, os sons se mantinham semelhantes aos registrados logo aos dois meses — ou seja, nada de sotaque ou vícios de linguagem.

O intercâmbio de culturas, por outro lado, não aconteceu: a maioria esmagadora dos golfinhos não deram a mínima para o idioma da forasteira durante o período. “Enquanto as imitações de golfinhos foram imitadas pela beluga, só encontramos um caso em que eles produzir cantos curtos que se pareciam (mas não eram idênticos do ponto de vista físico) com o produzido pela baleia”, explicaram Elena M. Panova e Alexandr V. Agafonov, pesquisadores da Academia Russa de CIências, no jornal Animal Cognition. Não se soube explicar, porém, se o comportamento era apenas fruta de repetição ou se a baleia realmente entendia e reagia aos estímulos feitos pelos golfinhos.

Segundo os cientistas, isso pode ser explicado pela condição social de cada uma das espécies. Enquanto os golfinhos estavam em seu habitat e em bando, a novata beluga lutava para se adaptar à nova situação — e ser formalmente aceita por seus novos vizinhos.

Foi a primeira vez que a imitação de vocalizações foi registrada em cetáceos (grupo marinho que reúne baleias e golfinhos). O comportamento também pode aparecer em certos elefantes e outros organismos marinhos, mas é mais comum em pássaros — como os papagaios, por exemplo.

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